Minha vida em gramas...


Imagem e texto: Reestréia

 

O tempo passou, desde o fim do primeiro ato daquele espetáculo que prometia ser incrivelmente belo.

A falta de maturidade do outro ator resultou no fim prematuro de algo que poderia ter sido sucesso. As cortinas fecharam e o desejo dele de presenciar a atuação de um novo amor teve de ser guardado. Ele colocou seus sonhos no bolso e deixou a platéia, com lágrimas nos olhos, coração acelerado e frio.

Do palco, a visão das cortinas fechando, das poucas pessoas indo embora, e do silencio do salão, fez o amor se sentir impróprio, inoportuno e rejeitado. Estava claro que ele não era bem vindo. Deu pra sentir o vento soprando e arrepiando a pele do atuante promissor, deu pra notar a tristeza nos olhos daquele que pensou que daria certo...

Foram meses de atraso, até que ele sentiu a possibilidade de reestréia! Pelo cartaz, era nítida a mudança no elenco. Algo dentro dele, dizia que a peça seria diferente, que o enredo era outro e ele fez fila, no primeiro momento do dia da ‘estréia’ da peça que ele deveria ter visto num passado não tão distante.

Ele foi o primeiro a entrar no salão que, desta vez estava todo decorado, cheio de flores e cores. Ele sentiu o perfume das flores, sentiu a brisa acolhedora e seus olhos brilharam. A cortina de veludo era dourada e as poltronas da platéia eram bastante confortáveis! As cores da sala o encantaram imediatamente, e ao som de violinos, ele esperou.

A platéia quase lotou, desta vez, como se todos quisessem ver a nova  decepção dele; ou como se todos sentissem a veracidade das personagens e dos sentimentos do espetáculo... Mais uma vez, o coração dele palpitou, ele percebeu que desta vez, eram dois os personagens principais, experientes e confiantes... Otimistas e verdadeiros! As luzes se apagaram e o foco foi completamente dirigido ao palco.

De esperanças renovadas, ele se delicia, finalmente, com o espetáculo que promete não ter fim...



Escrito por MG às 15h40
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Imagem e texto: Caleidoscópio

 

O frio na barriga foi o único acompanhante dele, naquele típico inicio de sexta-feira, que chovia, mas era coisa pouca, perto da euforia que os corações sentiam

As gotas de chuva se encarregavam de pintar a cena, como se fossem um prisma, deixando tudo colorido e cheio de alegrias.

O céu sorriu, acariciando a pele deles trazendo a esperança do inicio de um belo sentimento. E o mundo girou, formatando o desejo e a imagem do encontro perfeito, do papo, do toque e dos cheiros.

Para ser amor, o sentimento que nascia ali deveria ser despropositado, profundo e sincero, transcendente a qualquer fórmula ou enquadramento, parecia ser uma ótima chance de dar certo.  O amor, por ser amor, não admite sossego, ele tem de ser inquieto, resistente e teimoso, para estar acima de qualquer pleonasmo, ou de quaisquer vícios de linguagem...

O amor deles, com o girar do mundo, era sempre uma visão encantadora aos olhos, como num caleidoscópio... O cotidiano que nascia em Janeiro, era feito de fragmentos de vidros coloridos, que compunham uma realidade sempre curtida por vários ângulos diferentes, para não perder a graça.



Escrito por MG às 15h51
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